16 agosto 2017

Corpo são, mente insana

Quando nosso corpo adoece vamos ao médico, fazemos exames, tomamos remédio, buscamos ajuda. Se o rim inflamar, se o estômago estufar, se a cabeça doer, se o braço inchar, não há um ser humano sobre a Terra que não procure ajuda médica.
Contudo, não é apenas nosso corpo que adoece. Nossa mente e nossas emoções também. A diferença é que, quando surge a depressão, as crises de ansiedade, o estresse, geralmente não procuramos ajuda médica. Quando a doença se manifesta em nosso emocional, sumariamente a ignoramos – de um modo que jamais ignoramos as doenças que se manifestam em nosso corpo.
Acontece que somos uma sociedade extremamente materialista. Não acreditamos em nada que não possa ser pesado, medido, avaliado, encaixotado, comprovado, rotulado, tocado. Se eu não vejo, não existe.
Daí por que tantas doenças emocionais passam despercebidas: seu diagnóstico é mais sutil, suas feridas são imperceptíveis ao olho nu. Uma tomografia pode mostrar um tumor no estômago, mas qual tomografia pode indicar um tumor nas emoções?
Deste modo, tanto o doente quanto a família do doente passam a tratar a doença emocional como algo menor. Se descobrem um câncer, todos se comovem e se mobilizam; mas se descobrem uma depressão, a comoção e a mobilização caem para um terço. Sendo que, não raramente, a depressão mata mais do que o próprio câncer.
Resultado: somos uma sociedade doente vivendo como se fosse saudável. Uma sociedade que cuida do corpo com obsessão, mas negligencia totalmente suas emoções. E dá-lhe desequilíbrio, sofrimento, loucura generalizada.
Corpo são, mente insana.
É impossível viver com um rim doente. A dor, a febre e o desconforto impediriam qualquer um de fazer qualquer coisa. Do mesmo jeito, é impossível viver com as emoções doentes.
Porque a dor, a febre e o desconforto emocionais também são paralisantes, incapacitantes e potencialmente fatais.

14 agosto 2017

Maratona Literária

Nossas crianças são como sementinhas: precisam ser plantadas, regadas, protegidas e tratadas com todo amor e cuidado, para que possam nascer e florescer como cidadãos.
E a literatura é o melhor adubo para o plantio de cidadãos conscientes, inteligentes e, acima de tudo, humanos. Pois são os livros que nos ensinam a pensar com autonomia; são os livros que nos tornam intelectualmente independentes; que nos libertam da ignorância que machuca, cega e acorrenta.
Um país sem leitores é um país sem cidadãos.
Assim, esta última semana foi muito especial para mim, e para a Editora Os Dez Melhores também.
Porque, através de uma parceria muito bacana com o Sesc, pude visitar cinco escolas públicas aqui de Carazinho, e conversar com essa gurizada que é o futuro do nosso Brasil querido e judiado, tentando provar para eles que a literatura não é chata não; que a literatura é nossa amiga, nossa aliada, nossa guardiã.
A literatura é a chave que abre a porta desta cela na qual estamos todos encarcerados.
Eu acredito que plantamos uma sementinha promissora nesta semana que passou – uma sementinha que, não demora, vai nascer, crescer e florescer.
Mas saibam que vocês, queridos alunos, também plantaram uma sementinha em mim. Uma sementinha de esperança; de crença em um amanhã diferente, novo, bonito, mais colorido, mais vibrante. Mais feliz.
Um amanhã onde seremos donos de nossas próprias opiniões, e onde enxergaremos muito além dos muros altos que apenas servem para separar nossos quintais.
Estão plantadas as sementes, e eu sei que elas não demoram a brotar.
Afinal, o amanhã logo vem. 

Foto: Fernão Duarte.
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07 agosto 2017

Maratona Literária!

Previsão do tempo para esta semana: não importa!
Pode chover, pode esfriar, pode esquentar, ventar ou nevar: será a semana mais linda de todo o calendário!
Porque, em parceria com o Sesc, eu participarei de uma maratona literária em cinco escolas de Carazinho, ministrando a nova versão da minha velha palestra, A Literatura Não é Chata!
Começa amanhã e termina só sexta-feira.
Ou seja: AGUENTA CORAÇÃO!

Confere a agenda:
Dia 08/08, 8h e 19h30: Escola Estadual Marquês de Caravelas
Dia 09/08, 8h: Escola Estadual Érico Veríssimo
Dia 09/08, 14h: Escola Estadual Cônego João Batista Sorg
Dia 10/08, 10h30: Escola Municipal Doutor Piero Sassi
Dia 11/08, 8h: Escola Estadual Manuel Arruda Câmara

25 julho 2017

Quem é o seu deus?

Todos os religiosos são devotos de algum deus. E independente de como cada um nomeia o seu, creio que, em um ponto, todos concordam: deus é um cara bacana. Seja lá quem for este deus, ele é do bem. Certo? Certo.
Mas se deus é legal; se ele é do lado bom da força; por que raios a maioria de seus supostos seguidores não é? Afinal, se deus é gente boa, ele não pode ser assim, tão agressivo e azedo como vocês o pintam. Se deus é pai de todos, suponho que também seja pai das travestis, das prostitutas, dos criminosos, dos umbandistas, dos ateus, dos miseráveis, dos viciados, dos gays, dos jogadores de rúgbi.
Vejam o caso de Jesus Cristo: quando ele teoricamente viveu entre nós, há mais ou menos dois mil anos, só andou com os excluídos e com os marginalizados. Não me lembro de nenhuma parte de sua história onde ele menciona curar homossexuais, linchar bandidos, ou atirar pedras em crianças com outra fé.
Então, ou deus é um sujeito preconceituoso, mal-humorado e violento, ou seus seguidores não estão entendendo da missa um terço. Fico com a segunda opção.
Porque debocha da lógica um deus que não respeita a diferença. Que não compreende o sofrimento do outro, que desconhece a empatia. Não aceito – porque minha razão não permite – um deus tão cruel, vingativo, intolerante e megalomaníaco. Neste deus, que muitos seguem, eu não acredito.
O deus que eu chamo de meu é um cara legal e pacífico. Não se importa se você é gay, crente, promíscuo, leproso, dançarino, asiático: ele te aceita, e fim. Este deus que é meu não perde tempo com picuinhas e com detalhes irrelevantes, como a sua profissão, a sua religião, a cor da sua pele, o seu desejo sexual ou a sua conta bancária. Ele quer apenas saber se você é um sujeito bacana, como ele é.
O meu deus está interessado nas tuas atitudes; em quem você é no seu dia a dia. Ele espera que você ame os outros – e se não puder amar, que ao menos os respeite. Ele fica de olho no jeito como tratamos o garçom e o porteiro e o empresário rico, e se nos importamos quando enxergamos uma pessoa dormindo na rua, seja ela criança ou não. Ele somente deseja que a gente ajude quem não pode se ajudar, e que tenhamos um pouco de decência e compaixão na forma como vemos o mundo, e o próximo.
O deus que é meu aceita a diversidade – e não só aceita, como a celebra e a admira, já que ele próprio a criou.
No entanto, para muitas pessoas, só uma fé tem valor: a sua.
Estas pessoas frequentam religiosamente templos e cultos, mas já saem da igreja falando mal do vizinho. Estas pessoas rezam o dia inteiro, mas julgam o próximo com uma severidade que não usam para julgar a si mesmas. Estas pessoas apedrejam crianças, atiram homossexuais do décimo andar, e odeiam qualquer crença ou filosofia que vá contra suas certezas miúdas e egocêntricas.
O deus destas pessoas não é o meu deus.
É o seu?


20 julho 2017

Escola Ernesta Nunes, os indivíduos e a multidão

Terça-feira foi um dia MUITO frio aqui em Carazinho, com temperaturas abaixo de zero e geada sobre carros, telhados e gramados. E apesar de estar com os pés e as mãos literalmente congelados, o coração ficou quentinho e confortável a manhã inteira.
É que eu estava na Escola Ernesta Nunes, participando da Ciranda Cultural, uma das muitas atividades que aconteceram em comemoração aos 56 lindos anos desta escola querida.
Desde que voltei a morar em Carazinho, em 2013, e desde que fundamos a Editora Os Dez Melhores, no mesmo ano, a Escola Ernesta Nunes é presença confirmada em tudo o que se refere à cultura e educação. Uma escola que não é nada acomodada, e está sempre fazendo das tripas coração para dar aos seus alunos não apenas uma educação formal e padrão, mas humana e libertadora, para além das paredes da sala de aula.
Foi uma manhã bela de sol e frio, onde pude ver e comprovar mais uma vez o quanto cada um de nós pode fazer a diferença nesse mundão de meu deus.
A força da multidão é indiscutível, mas a força do indivíduo costuma ser menosprezada – o que é um tremendo erro. Esquecemos que, se fazemos a nossa parte com honestidade e boa vontade, o mundo em nossa volta imediatamente começa a mudar. A força da multidão se faz da soma dos indivíduos que a compõe. Sem cada um, não existe o todo.
É o que eu vejo na Escola Ernesta Nunes: indivíduos fazendo a sua parte com dedicação e obstinação.
E eu só posso agradecer pela oportunidade de participar de um pedacinho da história desta escola que faz a sua parte e, por isso, faz a diferença no mundo – inclusive no meu mundo.
Agradecer aos professores, diretores, funcionários, alunos, por me receberem com tanto carinho!
Agradecer ao Sesc Carazinho pela confiança, e ao grande Fernão Duarte, fotógrafo oficial e parceiro de outros carnavais.
E claro: agradecer ao universo, por me dar esta estranha certeza de que estou no melhor lugar em que poderia estar.





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13 julho 2017

Autógrafos do Rui!

Ontem eu estive no Colégio Sinodal Rui Barbosa para buscar meus autógrafos dos pequenos escritores do Rui. Não consegui pegar o autógrafo de nenhum autor na noite de lançamento, por causa da linda e louca confusão que se formou em torno de cada escritor, quando iniciou a sessão de autógrafos.
Mas ontem pude conhecer melhor e conversar com cada um destes pequenos grandes escritores, que continuam me surpreendendo com sua esperteza, sua inteligência, seu carinho, e aquela inocência sábia e astuta que somente as crianças são capazes de ter.
Contei a eles um pouco sobre o processo de edição de seu livro, e eles me cobriram de perguntas, com seus olhinhos brilhantes e desafiadores.
Foi forte, bonito e intenso. Inesquecível de diferentes maneiras.
Obrigada, pequeninos e grandiosos escritores do Rui!
Obrigada por me receberem com tanto amor, e por confiarem em mim, e em nós.
Vou guardar estes autógrafos no lugar mais querido do meu coração. E toda a vez que a desesperança me pegar desprevenida, vou abrir nas primeiras páginas da obra “Pequenos Escritores do Rui”, para me lembrar por que eu sou tão irritantemente otimista e feliz.
Para me lembrar por que eu tenho certeza absoluta de que caminhamos para um futuro mais vibrante e menos triste.


06 julho 2017

Conectar-se com o diferente: você é capaz?

Sabemos que nosso cérebro sempre reage quando entramos em contato com algo que não estamos acostumados. Qualquer situação que nos tire do lugar onde confortavelmente existimos coloca nossa mente a trabalhar em alerta máximo.
Por isso o diferente é assustador: por que o desconhecemos. O diferente nos coloca em uma situação inesperada e desafiadora, e nosso cérebro primata reage atacando. Uma tentativa de nos defender do que não nos é familiar.
Assim, quando vemos um casal homossexual se beijando, nos sentimos constrangidos. Quando cruzamos por um travesti na rua, ele chama nossa atenção de uma forma perturbadora. Quando conhecemos alguém com deficiência, ficamos atordoados e melindrosos.
A não ser, é claro, que você seja ou conviva com casais homossexuais. Ou que seja ou conviva com um travesti. Ou que seja ou conviva com uma pessoa com deficiência.
O nosso cérebro se adapta ao nosso universo (que, convenhamos: é pequeníssimo), e dali parte para definir o que é “normal” e o que é “anormal” para cada um de nós. E então, quando nos deparamos com o desconhecido, com aquilo que nos é estranho, respondemos de modo defensivo, como se o diferente pudesse colocar nossas crenças e certezas, e nossa própria existência, em perigo.
Uma reação instintiva e irracional, típica do homem das cavernas, e da qual precisamos nos libertar o mais rapidamente possível.
Penso que devemos tentar nos conectar com o diferente; tentar encontrar nele pontos em comum – porque estes pontos em comum existem, e geralmente são maiores do que as diferenças.
A próxima vez que encontrarmos pelo caminho alguém que destoe do pequeno universo onde resumimos nossa existência, ao invés de atacar; de nos sentir ameaçados e ofendidos e desconfortáveis; vamos tentar encontrar neste alguém o que nos une. O que nos torna iguais.
Porque enquanto a gente não descobrir um jeito de viver em paz com o que é diferente de nós; enquanto a gente limitar nossa visão ao minúsculo ponto de vista de que dispomos; enquanto nossa percepção não ultrapassar a porta de nosso quarto e o muro de nosso quintal; esqueçam viver em um mundo melhor.
Pois um mundo melhor somente poderá ser melhor se for melhor para todos. E eu disse TODOS. Todos mesmo, sem exceção. 

04 julho 2017

O privilégio de saber que é privilegiado

Você já passou fome? Já dormiu na rua? Já sentiu frio e não encontrou um agasalho para te aquecer? Você já foi humilhado por conta da sua sexualidade? Já se sentiu constrangido por causa de sua cor? Já perdeu um emprego em razão de suas características físicas? Já teve que fugir de seu país em decorrência da guerra ou de desastres naturais? Você já teve vergonha ou receio de falar sobre suas crenças religiosas? Já sentiu medo de abraçar seu namorado(a) na rua?
Se você respondeu “não” para estas perguntas, sorria leitor! Você, assim como eu, é um baita de um privilegiado! Em um mundo onde tantos enfrentam tantas dificuldades, das mais variadas ordens, responder “não” para as perguntas acima faz de ti alguém extremamente afortunado!
Contudo, conheço dezenas de pessoas que responderiam “não” para todas estas perguntas, e mesmo assim são incapazes de reconhecer seus muitos privilégios. E o pior: além de não os reconhecer, ainda acreditam que os possuem apenas por mérito próprio. Seria engraçado se não fosse triste.
Eu sou uma grande privilegiada. Respondo “não” para todas as perguntas acima. Também estudei em escola e faculdade particular, tenho uma família amorosa e estável; nunca sofri privações, humilhações, retaliações, violações. Tenho uma casa para morar e cobertores para me aquecer. Tenho acesso à informação, educação, lazer, cultura, saúde, saneamento básico. Tenho chuveiro quente, comida boa e farta na mesa; vivo com dignidade e em paz. Tenho todas as minhas necessidades supridas e meus direitos básicos respeitados – eu posso abraçar meu namorado na rua e falar das minhas crenças religiosas sem medo de levar uma pedrada. E ainda usufruo de luxos – como escolher o que vou comer e o que vou vestir.
E é por isso que eu sei que, se eu conquistei tudo o que conquistei até hoje, não foi apenas por mérito, esforço e dedicação: foi por que eu tive a sorte e o privilégio de nascer e crescer em um ambiente fértil e acolhedor, repleto de recursos, conforto e oportunidades, no qual tudo colaborou para o meu desenvolvimento.
Mas o maior privilégio do qual eu desfruto, sem dúvida nenhuma, é a consciência plena e clara dos privilégios dos quais eu desfruto.
Porque o privilégio de saber que é privilegiado infelizmente ainda é privilégio de poucos. 

29 junho 2017

Sobre ser escritor

Um problema de ser escritor: todas as bobagens em que você já acreditou; todas as ideias absurdas que você já julgou corretas; todas as opiniões preconceituosas e limitadas que você já teve, ficam registradas para sempre.
Imagina se você tivesse escrito e publicado as besteiras que pensava há dez anos?
Bem, eu escrevi e publiquei, hahaha.
Este blog, que mantenho desde 2008, está repleto de textos bestas. Textos que agora eu leio e fico pensando “mas que merda é essa, Janaína?”.
Estou inclusive cogitando criar o Selo da Vergonha Interna, para incluir nestas publicações, por que, sabe: É CONSTRANGEDOR. 

27 junho 2017

É mais fácil ser triste

Existe uma música, de uma banda gaúcha chamada TNT, que diz: “O céu não me assusta; o inferno, sim”. Parece uma declaração óbvia, e durante muito tempo eu não entendi exatamente o que esta frase queria dizer. No entanto, os anos vão passando, a gente vai mudando, saindo do lugar, e descobre que, na vida, nada é tão óbvio como pode parecer.
E a verdade é que, por mais que soe incoerente, costumamos viver mais confortáveis no inferno do que no céu. Temos mais facilidade em lidar com a tristeza do que com a alegria. Na minha visão, isso acontece porque, quem é triste, não possui qualquer responsabilidade com a felicidade, e muito menos com os outros. Afinal, ser feliz não é um estado humano natural; a felicidade exige compromisso, dedicação, trabalho. E de compromisso, dedicação e trabalho a maioria de nós só quer distância.
Se tristes somos, não precisamos fazer muito esforço. Podemos ficar sentados em nossa vida triste e ainda despertar compaixão e ternura. Pessoas tristes costumam ser tratadas com maior benevolência, porque, afinal, coitadas! São tristes.
Acontece que não há um ser humano neste planeta que chamamos de Terra que tenha a felicidade na genética. Nenhum de nós é naturalmente feliz. As pessoas que conhecemos, e que costumam ser alegres e otimistas, o são porque se empenham para ser. Geralmente são pessoas desacomodadas e desassossegadas, que simplesmente não aceitam viver tristes. Pessoas que abandonam casamentos infelizes; que deixam empregos desgastantes; que se afastam daqueles que lhes fazem mal. Pessoas que também acordam de manhã desmotivadas e chateadas, mas procuram no dia algo que lhes acalente, alegre e conforte.
E para isso é preciso ter coragem.
Sim, é preciso coragem para ser feliz. E coragem pressupõe ânimo e destemor. Pressupõe esforço para sair da zona de (des)conforto.
Evidentemente que não me refiro aqui a casos de depressão – que é uma doença, e como doença deve ser tratada. Falo de pessoas que encontraram na tristeza uma maneira cômoda de seguir sendo parte do problema, e nunca da solução. Quem precisa se esforçar para conviver com elas são os outros; elas somente sofrem, e são tristes. Quem lhes rodeia que se vire para se adaptar à sua infelicidade.
Então, eu desejo sinceramente que não lhe falte coragem para finalmente ser feliz. Porque o céu, meus amigos, não é assustador. O inferno, sim.